Depressão é um dos principais inimigos após os 60

Apesar da literatura médica revelar que até 15% dos idosos têm ou terão depressão em algum momento de suas vidas, isso não quer dizer que o “estado depressivo” seja próprio da velhice e muito menos incurável.

A depressão na terceira idade é um problema frequente mas, infelizmente, pouco diagnosticada e tratada. Ainda nos dias de hoje, boa parte da população acredita que a tristeza é inerente ao avançar da idade. A boa notícia é que existem tratamentos eficazes, muitas vezes mais simples do que se pensa.

É comum o idoso não admitir que determinados sinais e sintomas são de depressão. “Outros até têm consciência do problema, mas acreditam que nada pode ser feito sobre isso”, explica o geriatra David Buarque.

Segundo ele é importante que idosos, cuidadores e familiares conheçam os principais sintomas da depressão, que são a tristeza e a redução do interesse ou prazer nas atividades diárias, inclusive nas antes consideradas prazerosas.

Exitem algumas causas que podem levar à depressão, fatores estes que também podem atingir jovens. São eles: dor e doenças crônicas; dificuldade para realizar atividades habituais ou dificuldade de locomoção; problemas familiares e financeiros; dificuldade para se adaptar a uma mudança de vida (como ingressar na aposentadoria, por exemplo); a perda de pessoas queridas (como um amigo ou cônjuge); entre outros.

A depressão na terceira idade também pode ser a manifestação de um problema de saúde, como distúrbios de tireóide ou perda de memória, ou ainda efeito colateral de alguns medicamentos comumente prescritos. Agora, mais importante que conhecer as causas da depressão – e na medida do possível evitá-las – é identificar os sintomas e tratar o problema.

O quadro pode ser de difícil identificação nos idosos. Isto porque a apresentação pode ser pouco usual, com sintomas diferentes em relação aos jovens, assim como são frequentemente ignorados por acreditar tratar-se do próprio processo de envelhecimento.

Segundo o especialista David Buarque, idosos com quadro depressivo podem apresentar, além da tristeza frequente e desânimo, pensamentos fixos sobre a morte; culpa excessiva sobre situações do dia-a-dia; dores; perda de apetite e de peso; irritação excessiva; dificuldade de concentração; perda de memória; cansaço ou fadiga; sentimento de inutilidade; planos ou tentativas reais de suicídio; problemas para dormir; sonolência diurna; entre outros.

O diagnóstico só pode ser realizado após rigoroso acompanhamento médico, pois a depressão no idoso é mais difícil de ser definida e devem ser afastadas patologias que possam levar a quadros semelhantes. Por exemplo, sintomas como fadiga, perda de apetite e dificuldade para dormir podem indicar depressão ou uma condição médica específica. Segundo o médico, o ideal é evitar situações que levem à depressão, mas, quando o quadro de depressão está presente pode-se lançar mão de muitas alternativas terapêuticas.

Aliviar a solidão por meio de um programa a dois (um passeio ao comércio entre mãe e filha) é um exemplo. Uma saída com amigos, trabalhos voluntários, visitas em casa, exercícios físicos e atividades desportivas servem para evitar o isolamento social, afastando a tristeza e os pensamentos negativos.

Para outros pacientes, pode ser necessária a adoção ou a suspensão de medicamentos e também acompanhamento psicoterápico. “O tratamento da depressão melhora muito a qualidade de vida do idoso, inclusive de seus familiares. Por isso é importante ficar atento e procurar ajuda médica sempre que os sintomas estiverem presentes”, finalizou.

Fonte: ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria)

Sobre Dr. Alexandre B. Chehin

Médico Psiquiatra e Diretor Clínico do Hospital João Evangelista. Pós–graduando do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina (UNIFESP–EPM). Especialização em Psiquiatria pela Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP. Residência em Psiquiatria pela Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina (UNIFESP–EPM). Graduação em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina (UNIFESP–EPM)
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