Cientistas criam rede para tentar prevenir doenças psiquiátricas

Relacionar hábitos como consumo de cigarro ao aumento da incidência de doenças como o câncer de pulmão é comum no meio científico. Mas ligar algumas atitudes a surtos psicóticos é algo bem mais complexo.

Um grupo de pesquisadores paulistas está tentando fortalecer uma ideia recente -que, dizem, ainda não pegou no Brasil,- de que doenças mentais, assim como outras tipos de doenças, podem, sim, ser evitadas.

Eles formaram uma rede que reúne cerca de 50 cientistas da USP e da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), de áreas da medicina à antropologia, para mapear atitudes e hábitos de jovens que podem sinalizar surto psicótico no futuro.

A ideia, de acordo com o coordenador do grupo, o médico especialista em saúde mental Jair de Jesus Mari, da Unifesp, é fazer intervenções para que esses jovens não cheguem a desenvolver um transtorno mental.

Um adolescente que tem dificuldades de relacionamento e que sofre bullying, por exemplo, é um forte candidato a ter alguma patologia mental quando adulto.

“O ideal é fazer psicoterapia. Depois, se for o caso, tratamento farmacológico. Mas é importante saber que a psicose pode ser evitada”, explicou Mari durante a 64ª reunião anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), em São Luís do Maranhão.

Traumas resultantes de violência urbana e hábitos como o uso de drogas também aumentam a incidência de psicoses na vida adulta.

O consumo prolongado da maconha, por exemplo, pode aumentar em 3,5 vezes a possibilidade de uma pessoa apresentar episódios de alucinação e de confusão mental.

Se houver predisposição genética, o uso da erva aumenta mais de dez vezes a chance de o surto acontecer.

“Sabemos que as predisposição genética aumentam as possibilidades de doenças mentais. Mas fatores ambientais podem ser suficientes para desenvolvê-las. Isso significa que essas doenças podem ser evitadas”, diz.

O grupo, batizado de Y-Mind, pretende trabalhar inicialmente com amostras populacionais de três bairros. São dois na capital paulista (Vila Maria e Butantan) e um em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, em um total de 900 mil pessoas.

Essa população será acompanhada por meio da rede de saúde e de centros de convivência para jovens já existentes. A ideia de Mari é construir alguns centros para o grupo no futuro, que já tem até uma proposta de nome: Cuca Legal.

Mas isso tudo depende de dinheiro. Por enquanto, os cientistas contam com financiamentos federal e estadual esparso para o trabalho.

O grupo também está concorrendo para se transformar em um Cepid (Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão).

Cada um desses centros estaduais (são 15) recebe até R$ 4 milhões por ano da Fapesp. O resultado do edital de seleção dos futuros Cepids deve sair em agosto.

MONITORAMENTO

De acordo com Mari, países como a Austrália e Nova Zelândia já trabalham com mapeamento de comportamento populacional e com prevenção de doenças mentais há décadas.

Esse tipo de informação é importante para desenhar políticas públicas em saúde mental, especialmente na adolescência.

“Nessa fase da vida há uma reorganização cerebral importante.”

É por isso, explica Mari, que os periódicos científicos estão dando cada vez mais atenção à saúde mental dos adolescentes.

O “Lancet”, principal revista científica médica do mundo, por exemplo, publicou uma série de artigos sobre saúde mental na adolescência neste ano.

Fonte: Folha de São Paulo

Sobre Dr. Alexandre B. Chehin

Médico Psiquiatra e Diretor Clínico do Hospital João Evangelista. Pós–graduando do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina (UNIFESP–EPM). Especialização em Psiquiatria pela Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP. Residência em Psiquiatria pela Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina (UNIFESP–EPM). Graduação em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina (UNIFESP–EPM)
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